.

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

a planta carnívora sonha ser um animal herbívoro


Fernanda Tatagiba
a opção é a unica saída


Fernanda Tatagiba

poemas falados

http://www.programaviceverso.com.br/site/content.php?s=acervo

Matiz


Tudo o que não tem está no branco, cegamente branco, porque tudo é branco e tudo não dá pra ver.
Tudo que foi escrito no negro está no negro porque tudo é negro e só o branco não vê.
Preto no branco, negativo e relevado, ainda não somos capazes de entendermos a beleza do grafite e nem de imaginarmos fotogramas em novas cores solitárias que anseiam pela mistura.


Anderson Bardot do blog Desprezo A.B.(link)

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Livros com nomes mais bonitos

A Insustentável Leveza do Ser

Distraídos Venceremos

Alguma Parte Alguma

Morangos Mofados

Felicidade Clandestina
vidente das coisas inúteis

prevejo, antevejo, percevejo, lacrimejo, dormindo

sábio no sábado de sol

sei da sua próxima mordida de mosquito

cuidado, amigo

é uma aviso


Fernanda Tatagiba

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Quando menos esperava, voltei a contemplar os pequenos movimentos dos insetos nas paredes de minha casa. Voltei a pendurar fotos no espelho. A chorar ouvindo canções sobre prostitutas e homens que não crêem em Deus. Retornei aos dias sem vozes e sem mistérios. Voltei a me masturbar com pensamentos torpes. Ao álcool. Não muito inesperadamente, voltei a não cumprimentar as pessoas que conheço na rua, a esquecer de pegar o troco na padaria, a tomar o ônibus errado de propósito. Voltei a ser o cara que recusa convites, que engana pretendentes, o cara preguiçoso que sabota os próprios projetos. De um dia para o outro, voltei a freqüentar lugares duvidosos. Bares de mau gosto. Alcovas onde crimes são tramados. Os irreverentes escritórios da loucura. E isso não é nem o começo. No semblante de todos aqueles que me olham, um apaixonante casamento entre a frustração e o horror.

Rodrigo Ribeiro do blog Vereda Blues(link)

sábado, 24 de dezembro de 2011

parte da palavra
parte

da palavra parte
arte
ar
não tem em Marte

parte é fala
para
no ar

palavra invade
parte
do parto
no palato


Fernanda Tatagiba

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Nata do natal

tumulto
entulho

sem força nos braços
lambendo as sacolas
largadas

lavando o lixo
lacrado

preso a pacotes
pagando o lacre

neve suada

sem roupa
vermelho na carne

surdos
do sino


Fernanda Tatagiba
e livre nem sabia o que era leve
o corpo nu lavado e enxuto
sem nenhuma letra
ou palavra
apenas pontos
pintas


não há a possibilidade de mudar
os ângulos
dos rostos dos antigos retratos
paralisados pelo tempo
garranchos e entonações
grotescas
há?


abram-se as portas, ficam-se os mudos


doloroso ninguém perceber
nossas bocas cerradas
as faltas e a ausência das palavras
e o que nos resta é servir de bibelôs
e seguir silenciosamente
às exposições academias faculdades conduções trabalho
sem um i sem um ai
assim livres













Fernanda Tatagiba












Fernanda Tatagiba
fachada
fechada

tudo ao redor
redoma

retoma
retorna

ao mesmo
meio

que veio


Fernanda Tatagiba

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

domingo, 11 de dezembro de 2011

correr
atravessar o tempo

deixando o suor
de cada estação
em muitos lugares

minhas pernas longas
encolheram o mundo

é quando volto a ter o fôlego das crianças
que acompanham as formigas


Fernanda Tatagiba
não se engana
quem tem grana
também terá grama


Fernanda Tatagiba
É porque ainda não sou eu mesma, e então o castigo é amar um mundo que não é ele

Clarice
mãos acompanham os passos
desacompanhados

resgatam
a flor virada para baixo
no chão da calçada

na água
dentro de um copo
em cima de um comodo
não ressulscita

os olhos vivos
esperando murchar


Fernanda Tatagiba

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

amor é vontade de morar
no lugar que nasce o cheiro
único
de cada ser
na curva
onde o pescoço vira ombro

inspirado num texto do Caio Fernando Abreu

Fernanda Tatagiba
o cisco imaginário
coça
a parte de trás
do outro lado
do olho
de quem vê

o vento sempre leva
o ar
que separa tudo

vamos
pra dança
voltar

o risco
de pular
o risco
do chão

da cama ao karma
a lembrança avança

caimbra
canção

e a palavra vinga

espanta
o mantra
do silêncio

parte
o branco
em mil pedaços

reflexo

a imagem
é sempre real para o espelho


Fernanda Tatagiba
colírio
nos óculos
o cisco
protege os olhos do mundo


Fernanda Tatagiba
os dias
calejados de calendário
se afastam
se fartam de tempo

agendas carregadas
cedo
das tardes
de fatos

mergulho na Guanabara

correr e nunca vencer o carrossel
rápido e parado

ir longe
é descobrir que o barulho dos vizinhos é sempre o mesmo


Fernanda Tatagiba