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domingo, 12 de fevereiro de 2012

Quando as palavras não obedecem elas me põem de castigo


Fernanda Tatagiba
quando as palavras não obedecem elas me poem de castigo


Fernanda Tatagiba



Izabella Zanchi
tudo que tem três dimensões é a projeção em nosso mundo de um mundo quadridimensional

Duchamp


Maria Gimenes

Caraíva, meu amor
Quem não se movimenta não sente as correntes que o prendem


Rosa de Luxemburgo
o céu do céu é o mar


Fernanda Tatagiba
e cada um cuidasse da sua inveja não existiria inveja


Fernanda Tatagiba
Ângela Vicário mal se atreveu a insinuar o inconveniente da falta de amor, porque a mãe o demoliu com uma única frase:

- O amor também se aprende"

(MARQUEZ, Gabriel Garcia. Crônica de uma morte anunciada)

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

o céu do céu é o mar


Fernanda Tatagiba

Sobre a arte contemporânea

Não, não me incomoda. Nesta altura do campeonato, quando o vale-tudo se apoderou das artes plásticas, a qualificação de "conservador" perdeu sentido. Conservador por quê? Por diferenciar expressão e arte? No meu entender, toda arte é expressão, mas nem toda expressão é arte. Se me machuco e grito de dor, estou me expressando; não estou produzindo arte. Da mesma maneira, se alguém começa a bater numa lata, emite sons; não cria música. O filósofo francês Jacques Maritain, católico, afirmava que a arte é "o Céu da razão operativa". Ou melhor: é o ápice do trabalho humano. Arte, portanto, pressupõe o "saber fazer". Saber pintar, saber dançar, saber esculpir, saber fotografar, saber tocar, saber compor. Tal critério prevaleceu durante milhares de anos, desde as cavernas até o advento das vanguardas, no final do século 19, período em que se questionou o "saber fazer". Pois bem: sob a minha ótica, a preocupação vanguardista é um fenômeno que se esgotou. Por milhares de anos, a arte seguiu adiante sem ligar para o conceito de vanguarda. Ninguém me convencerá de que, em pleno século 21, crucificar-se na traseira de um Fusca, deixar-se filmar cortando a vagina ou masturbar-se numa galeria equivale a um gesto artístico. Segundo o norte-americano John Canaday, historiador da arte, os críticos de hoje temem repetir o erro cometido pelos críticos do século 19, que não compreenderam os impressionistas. Em consequência, assinam embaixo de qualquer bobagem que levante a bandeira do "novo". Percebe a armadilha? Caso três ou quatro artistas resolvam espremer uma bisnaga de tinta no nariz de um crítico, ouvirão dele que praticaram um ato inovador. Definitivamente, não penso desse modo.


Ferreira Gullar
Converter a vocação em expressão demanda um esforço imenso. Tudo vai depender do equilíbrio entre o acaso e a necessidade. A vocação é acaso. A expressão é necessidade.


Ferreira Gullar
descama a cama

carrega a carne

atinge a tinta

fantasia

faísca anti-fama

farra

a rua chama


Fernanda Tatagiba
sim, este osso
a mais dura parte de mim
dura mais do que tudo o que ouço
e penso
mais do que tudo o que invento
e minto

Ferreira Gullar

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

‎"Três da madrugada quase nada, a cidade abandonada e essa rua que não tem mais fim,
Três da madrugada tudo e nada a cidade abandonada e essa rua não tem mais nada de mim.
Nada, noite alta madrugada, essa cidade que me guarda, que me mata de saudade é sempre assim.
Triste madrugada tudo e nada, a mão fria a mão gelada toca bem de leve em mim, saiba, meu pobre coração não vale nada, pelas três da madrugada,
Toda palavra calada dessa rua da cidade que não tem mais fim ... que não tem mais fim",

Torquato Neto e Carlos Pinto

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

num dia, meio dia
nunca fica

a sombra
sobra
o corpo

somos a cisma do sol


Fernanda Tatagiba

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012




Ney Matogrosso
Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já tem a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia: e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos.


Fernando Pessoas
“Existe um só sucesso: ser capaz de viver a sua vida do seu próprio jeito”

Christopher Morley
a dobra do olhar vira a esquina
escorre
estica a retina

ultrapassa
a curva

rema
contra a reta

vejo
quando beijo
o objeto


Fernanda Tatagiba

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Deus abençoe um ateu em fúria

largando as palavras largas no caminho
lavando de lama minha fala de livro

Deus abençoe o poeta
a ponte
para a possível invenção do nada


Fernanda Tatagiba sobre Ferreira Gullar